A Origem

Na Faculdade de Direito quase todas as conversas acabam ou começam na política. No rescaldo das eleições legislativas os resultados eleitorais não eram esclarecedores e não se sentia o entusiasmo característico da vitória em nenhum dos lados da barricada.

Neste contexto, o Francisco cumprimentou-me com a ideia de fundarmos um espaço de opinião e eu ri-me cepticamente, como que se de algo inalcançável se tratasse. Foi o suficiente para me dar tempo para pensar sem que ele tivesse vontade de apresentar a ideia a mais ninguém. Nos três dias seguintes nenhum de nós voltou a pegar no assunto e ao quarto dia, disse-lhe que podíamos e que íamos conseguir.

Um dia, um dia normal. Uma realidade, a abstenção alucinante nas legislativas. Uma ideia, um espaço de opinião feito por jovens, direccionado sobretudo para os jovens, que os aproximasse de novo à política, mas que não fosse só isso. Uma imediata e natural expansão da ideia, uma plataforma que incentivasse não só o debate e a reflexão política da nossa geração, mas o pensamento sobre temas como a filosofia, a história e a ciência. Um amigo, um grande amigo e colega, com a energia, a determinação, a vontade e a persistência necessárias para pôr o projecto a andar, para o passar da teoria à prática. A primeira reacção do Manel não foi eufórica, mas de quem ficou ponderadamente a matutar na ideia.

Bastaram uns dias para surgir o entusiasmo, entusiasmo que, a partir daí, não mais desapareceria. A ideia foi andando, de conversa em conversa nos corredores da Faculdade de Direito de Lisboa e os contornos do projecto foram sendo delineados. O nome, surgiu num intervalo no bar da faculdade. A data de lançamento, numa pausa de estudo. Uma motivação extra, a partilha pelo nosso Professor de Direito Administrativo e agora candidato presidencial, de que aos 14 anos já tinha escrito um artigo sobre para o Jornal “O Século”.

Não podíamos ser só dois, precisávamos duma equipa de escritores e colaboradores. Depressa deixámos de ser apenas duas cabeças para sermos 20 e em breve seremos mais, seremos uma massa pensante, uma massa sonhadora. Temos projecto, temos equipa, temos uma meta, uma missão, agora só os leitores nos poderão dar a sua realização, a sua concretização, o seu sucesso.

Queremos instigar a reflexão, mas também o debate. Se um grupo de jovens reunidos num bar, numa casa, num átrio de uma faculdade, começar a discutir porque um deles mencionou um artigo, uma opinião, um argumento que leu na nossa plataforma , já teremos uma vitória. Se despoletarmos no leitor o interesse por um tema, por uma figura histórica ou atual, se contribuirmos para que ele vá sobre ela investigar mais, teremos outra. Se fizermos com que alguém que se tinha alheado da política volte a conceder-lhe a sua curiosidade, a sua atenção, teremos mais uma. Se fizermos com que alguém questione um dado que nunca tinha questionado, que ponha em causa algo que tinha erroneamente como  pressuposto, será ainda outra.

Pensarmos juntos não é sinónimo de pensarmos da mesma forma, mas de pensarmos em simultâneo, de pensarmos todos, de pensarmos em conjunto, acima de tudo, de incentivarmos e enriquecermos o pensamentos uns dos outros, a obra conjunta de toda uma geração.