Prexit

Por João Ferreira do Amaral

Não tenho dúvidas que toda esta discussão em volta do Brexit trará à tona as velhas disputas sobre o futuro de Portugal. Não tardarão em vir doutores, professores ou até atores (como até já veio a própria Sra. Catarina Martins) professar a sua teoria “como a única solução viável” para o desfecho da aventura portuguesa em períodos de crise. Ressalvo então, para evitar demagogias e apelos a ideais bélicos sem conteúdo, que é importante não nos limitarmos a ouvir sobre o assunto mas, de facto, ler.

E que soluções temos?

Antes de mais, como o fez o Reino Unido, a saída da União Europeia. O único problema que aponto, e que até me parece legítimo, é que não somos Britânicos. Portugal não se encontra nem politicamente nem economicamente nos calcanhares das terras de sua majestade: Não sendo admissível a política do “orgulhosamente sós” Portugal não tem capacidade para se aventurar por novos mercados, sem a proteção que a União nos garante, sobretudo porque não faria sentido continuar no Euro, moeda que acabaríamos por abandonar. A saída do Euro é outra das alternativas que Portugal tem atualmente. Temos quem defenda que este é o cenário que mais tarde ou mais cedo se irá verificar pelo que mais vale sair agora, de modo organizado, do que sair mais tarde, empurrados. Certos autores consideram que a saída é viável e que os cenários de desvalorização de uma nova moeda são suportáveis ou que não serão muito distintos do estado atual da economia portuguesa.

No entanto, o que aponto a estes autores é o que partilham quase todas as opiniões contrárias: antes de mais, a saída da moeda única é um passo demasiado grande para ter por base suposições ou especulações.

Depois, uma saída do euro para uma moeda única e a sua certa desvalorização, tornaria o peso da dívida muito maior nas famílias portuguesas (sendo esta paga em euros e sendo os rendimentos dos portugueses recebidos, por exemplo, num escudo muito fraco), para não falar na própria desvalorização das poupanças de cada um de nós. Não vou estar aqui a mencionar todos os pontos de vista (convido desde já o leitor a pesquisar sobre este tema muito interessante) mas deixo bem claro o seguinte: como já foi referido aqui no Agora, a UEM (união económica e monetária) foi um passo demasiado ambicioso.

No fundo, foi uma tentativa de apressar o caminho para um federalismo europeu, sem que tivessem sido ultrapassadas as barreiras culturais de cada membro da zona euro. Mas a solução para este erro não passa pelo seu abandono. Junto-me ao coro de vozes que considera que, a curto e médio prazo, as consequências seriam devastadoras.
Mantendo Portugal na UEM, temos duas hipóteses: ou a cultura portuguesa se adapta à política conservadora europeia, austeridade (o que não será solução enquanto não se der continuidade aos esforços de executivos e se estiver a mudar de politica de 4 em 4 anos), ou a Zona Euro abre-se às exigências do povo português: Certa parte da “doutrina” portuguesa defende a restruturação da dívida.

Chegamos a um ponto em que muitos consideram que a mesma é insustentável. No entanto, e muito resumidamente (voltando a convidar o leitor para uma leitura sobre o tema que conta com inúmeras mentes ilustres), não me parece viável pois a contração de empréstimos é uma constante hoje em dia. E qual de nós é que daria dinheiro a um amigo com historial de não pagar de volta?

O meu objetivo com este texto não é o de me fazer de entendido sobre os assuntos pois admito muita falta de conhecimento. O meu objetivo é alertar, para quem ainda não reparou, que as soluções começam a esgotar-se.

Neste momento Portugal está encostado às cordas, qual pugilista, a ser espancado pelo Ivan Drago. Das duas, uma: Ou acabamos no chão como o Apollo Creed ou precisamos, urgentemente, de uma mente brilhante para uma reviravolta ao estilo do Rocky Balboa.

Enquanto jovem, de certo modo assustado com a falta de soluções evidentes, gostaria de apelar para que se deixe o Reino Unido em paz. Lá tiveram as suas razões pessoais. Olhemos para nós primeiro.


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