Sérgio Azevedo

Deputado à Assembleia da República pelo Partido Social Democrata (PSD)

O falso embelezamento de Lisboa

É inquestionável que reina uma certa balburdia na Câmara Municipal de Lisboa no que respeita à gestão urbanística e de tráfego da cidade. A insistência num conjunto de obras de tendência a que temos assistido apenas se explicam num contexto de nexo causal de preparação com as eleições autárquicas de 2017, por sinal o ano em que todo este sôfrego fazedor do executivo terá, previsivelmente, o seu fim.

Mas há um outro aspeto irrefutável. A Câmara de Lisboa lançou uma cruzada contra os automobilistas sem que nenhuma razão racional o justificasse, a não ser um certo preconceito vanguardista, mas extremamente provinciano, de seguidismo de tendências internacionais cuja configuração da cidade, e o fluxo rodoviário que ela comporta, as torna simplesmente incomportáveis.

Depois das obras na Baixa que deram origem a uma circulação labiríntica foi a vez da Frente Ribeirinha, onde a Avenida Ribeira das Naus deu lugar a uma interminável betesga, passando atualmente a maior parte do tempo encerrada por motivos tão diversos e pitorescos como o abatimento do novo piso colocado ou da fraca drenagem. Mais tarde foi a vez da Avenida da Liberdade com o irrazoável sistema de duas rotundas no Marquês do Pombal que apenas serviu para antecipar o suplício das filas de trânsito. Agora, chegou a vez do Eixo Central (zona Saldanha-Fontes Pereira de Melo) que, para além da displicência da manutenção da via manifestamente evidente, acolherá uma enorme faixa arborizada, uma ciclovia e uma enorme redução de estacionamento, sem alternativa aparente, com a supressão dos parques laterais da praça do Saldanha.

Por último, but not the least, a reconversão da Segunda Circular. E aqui sejamos claros. É inatacável a necessidade de uma manutenção permanente de uma via cujo atravessamento rodoviário diário ascende às 490 mil viaturas. Não é isso que está em questão. O problema desta “obra” – se é assim que a podemos chamar – é a sua inoportunidade e, principalmente, a sua ineficácia enquanto não se resolverem dois acessos importantes: A ligação da A5 ao Eixo Norte-Sul (antes do viaduto da Av. Eng. Duarte Pacheco), a ligação do IC 19 à CRIL (em Pina Manique) e à A1 (no Prior Velho) que melhorará as condições de acesso à CRIL mas não interferirá com as funções de distribuição de tráfego na cidade que só a Segunda Circular assegura.

Bem sabemos que o argumento principal para esta florestação anunciada é a poluição e as elevadas emissões de gases a que aquela via, e por conseguinte a cidade, está sujeita. Mas esse não era o argumento para a restrição automóvel na Avenida da Liberdade? Ainda assim não tivemos, há dias, nota de que as emissões não só não diminuíram como não havia fiscalização a essa restrição?

São vários os argumentos de reserva a esta obra que mais não serve do que um falso embelezamento da cidade cujo motor se dirige exclusivamente em direção às eleições de 2017.

Não faltam necessidades de intervenção, há muito identificadas, quer na envolvente da Segunda Circular (por exemplo no nó do Campo Grande com vista a melhorar o acesso à Av. Padre Cruz ou na ligação da Av. Dos Combatentes ao Eixo Norte-Sul), quer na grande transversal da cidade de Lisboa - Sete Rios/Av. Marechal Spínola – (por exemplo, no alargamento da saída do Eixo Norte-Sul à Av. Das Forças Armadas ou no alargamento de Sete Rios à parte final da Radial de Benfica permitindo um melhor escoamento da Radial), quer ainda na segunda grande transversal de Lisboa - Praça de Espanha/Olaias (por exemplo, na reformulação da Praça de Espanha ou no desnivelamento da Av. Dos Combatentes).

Mas a tónica do município, e deste novo presidente que pouco conhece Lisboa, é dominada por uma espécie de pulsar cósmico e ininteligível que custará muito caro aos cofres do município e a todos nós com o evidente transtorno que nos causará.

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1 comentários

  1. O Presidente Medina não consegue ter os Policias Municipais a fiscalizar a entrada dos veiculos anteriores a 1990 porque andam muito ocupados com os tuk tuks; porque a poluição na baixa de Lisboa deve-se, não a 300 mil veiculos que entram na cidade diariamente, mas antes a 300 veiculos de animação turistica, que jura obrigar a passar a electricos ou mandá-los ao rio. Entretanto os autocarros da Carris e da Cityrama não necessitam de ser eléctricos, nem os táxis, apenas o raio dos 300 tuk tuks... Oh 2017 que estás tão longe...

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