Francisco Guimarães


Colégio São Tomás | Treinador de Futebol

""Queres o espaço impossível, queres arder o que apagou, queres a escolha que passou. Mas tudo é o que tem que ser, tudo flui ou te faz crescer.""
- Tiago Bettencourt

Perdemos. E agora?

"Mas tudo parte de uma relação: tem de existir amizade para haver exigência, alegria para aparecer motivação, regras para se poder desenvolver um espirito rigoroso, liberdade para deixar amadurecer o individual dentro do conjunto, e coragem para que o grupo possa cair de novo sem medo do esforço que é voltar a erguer-se."

“Quando perco não faço drama. Penso que uma derrota é o início de um ciclo de vitórias e não o começo de um ciclo de derrotas” José Mourinho (Fevereiro 2011)

Uma equipa que se desafia a uma batalha todas as semanas, tem de se preparar de forma séria e verdadeira, seja qual for o adversário, dia-após-dia. Cada elemento do grupo tem tem de se entregar ao trabalho e à criação para exprimir o melhor de si, tem de ser verdadeiro de forma a perceber onde estão as suas virtudes e imperfeições, e deve estar disposto a dar tudo pelo outro. E, o outro, significa qualquer elemento que constitui o coletivo. Quando alguém do grupo se entrega totalmente e se entrega pelo bem dos outros, potencia a sua individualidade para um bem comum. E isto é o verdadeiro “Team Work”.

Quando termina a semana de desafios, de treinos, de obstáculos para ultrapassar, de desenvolvimento de capacidades, chega o desafio maior – o jogo! E aqui estamos perante algo caótico, imprevisível e desafiante. O resultado pode não ser aquele que desejamos, mesmo que tenhamos dado tudo na sua preparação. Algo falhou, o adversário foi mais forte, não nos transcendemos ou decidimos ficar pela mediocridade. Nascem interrogações em quem interveio diretamente no jogo e na preparação do mesmo. Sejamos presidentes, treinadores ou jogadores, perguntamos a nós próprios se poderíamos ter feito mais. Tenho plena confiança que, perante um resultado positivo ou negativo, a resposta deve ser sempre afirmativa no que à reflexão diz respeito. A grande diferença do fracasso para o sucesso é que o fracasso nos obriga a refletir. O sucesso, quando nos descuidamos, pode toldar-se a visão da realidade. O juízo sobre o que aconteceu nunca deve incidir no resultado final, mas efetivamente na forma como se chegou a ele. E, para o crescimento de um grupo, é quase irrelevante se ele foi positivo ou negativo.

Para a preparação, para o início do trabalho, é imprescindível que todos e cada um estejam dispostos a dar tudo de si, assim como é fundamental que, após uma falha, haja uma pré-disposição para a reduzir ou até mesmo para a eliminar. Mas tudo parte de uma relação: tem de existir amizade para haver exigência, alegria para aparecer motivação, regras para se poder desenvolver um espirito rigoroso, liberdade para deixar amadurecer o individual dentro do conjunto, e coragem para que o grupo possa cair de novo sem medo do esforço que é voltar a erguer-se.

Após uma derrota, o início de um ciclo de vitórias começa com esta pré-disposição de cada um e com ela nasce uma pergunta: Será que estou disposto a dar tudo pelo que está à minha frente? Se a resposta for positiva, a equipa está preparada para um novo desaire. E esta preparação para o insucesso torna-se então uma obrigatoriedade para quem quer sair vencedor.

Haverá sempre aquele momento em que, após um mau resultado, os líderes se vão questionar, os jogadores vão querer desistir. Esse momento de desconfiança emerge com uma quebra, gerada por um erro. Se nesse momento, cada elemento, perante o grupo, constatar que o caminho é aquele que foi traçado, que deseja dar tudo pelo outro, que está preparado para ganhar e perder em conjunto, que está convicto de que a ambição é o motor de cada ação, então a meta continua no horizonte. Se a resposta de todos for um SIM verdadeiro, leal e recheado de valentia, este sim significa que o exército é composto por soldados que buscam ser melhores em conjunto, que desejam estar em comunhão com tudo o que implica pertencer a uma equipa. Significa que o desejo de vitória continua vivo.

Uma derrota faz-nos pensar, refletir, questionar o nosso valor e funciona como um empurrão para que estejamos mais preparados para outros desafios. E faz-nos crescer.

“Os grandes forjam-se na adversidade. O mal que se vê é aguilhão para o bem que se deseja; e quanto mais duro, quanto mais agressivo, se bate em peito de aço, tanto mais valioso auxiliar num caminho de progresso; o querer se apura, a visão do futuro nos surge mais intensa a cada golpe novo (...) e eu quero a terra povoada de rijos corações que seguem os calmos pensamentos e a mais nada se curvam. Mais custa quebrar rocha do que escavar a terra; mais sólido, porém, o edifício que nela se firmou. A grandeza da obra é quase sempre devida à dificuldade que se encontra nos meios a empregar, à indiferença que cerra os ouvidos do povo, e aos mil braços que logo se levantam para deter o arquitecto. Se cai em batalha, pobre dele, podemos lamentá-lo; não o chamara o Senhor para as grandes empresas, mas se, pelo menos, a voz se lhe erguer clara, firme, heróica, no meio do turbilhão, não foram inúteis as dores e os esforços (...). Quem ia perturbar, ficará perturbado, quem ia matar, ficará morto. Não é com os mesquinhos artifícios, nem com o desprezo, nem com a mentira, nem pelo cansaço, nem pela opressão, nem pela miséria que se vencem os que pensaram num futuro, e amorosamente, com cuidados de artista, continuamente, com firmeza de atleta, o vão erguendo pedra a pedra” Agostinho da Silva, in Considerações


1 comentários

  1. Perdemos. E agora? Agora vamos GANHAR como diz Mourinho na sua alusão às derrotas e às vitória , se formos um verdadeiro “Team Work”. As derrotas têm muito de "perguicite" e as vitórias muito de "trabalhite". Aqui não há lugar a disfarces. Sempre atento,

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