Francisco Rodrigues dos Santos


Advogado | Presidente da Juventude Popular

"A obra de arte, fundamentalmente, consiste numa interpretação objectivada de uma impressão subjectiva."
- Fernando Pessoa

Marchar contra o Terrorismo

O terrorismo é uma ameaça à escala global, corroborada por um exército de milhares de combatentes disseminados por diversas células operacionais, movidos pelo radicalismo islâmico que chacina através de um genocídio cobarde, impiedoso e indiscriminado. O terrorismo, todavia, não se confunde com nenhum povo, credo ou confissão religiosa.

Sabe-se, portanto, que o combate ao terrorismo não é uma luta que se trava contra uma etnia, raça ou religião. É um conflito que germina de uma lógica de absurdo e de total irracionalidade, apostada em proclamar medo e o terror, e na obliteração da diferença. É em oposição a esta vaga destrutiva que se impõe uma reacção firme e rápida.

Resulta claro que o terrorismo coloca severamente em causa o modo de vida da civilização ocidental, inspirada na sua matriz judaico-cristã. É um ataque declarado aos princípios que forjaram a construção europeia, enquadrados por valores como a liberdade, a tolerância, a solidariedade e a democracia. A Europa deve manter-se fiel ao seu projecto fundador e rejeitar transformações relacionadas com a vulnerabilidade que projecta este aparente sentimento de derrota. Contudo, não pode (nem deve), advogar a tolerância em nome da cedência gratuita, abdicando das suas tradições e do seu modo de vida em favor de hábitos e costumes diferentes; favorecer o multiculturalismo em benefício da prevalência de novas ordens sobre a sua; contrapor o relativismo ao choque civilizacional; defender a liberdade em detrimento da segurança e da protecção dos seus cidadãos. A passividade permitirá que o terrorismo continue a explorar e a alimentar-se da permissividade dos valores europeus.

O terrorismo não se combate com cândidas artes poéticas no rescaldo do horror, com publicações no facebook, nem tão pouco com cânticos de glorificação em homenagem às vítimas. O terrorismo erradica-se com medidas claras, firmes e corajosas, que afirmem mecanismos constantes de segurança e defesa das pessoas e da comunidade onde se inserem.

Este é o momento de firmar uma cooperação e partilha mais intensas entre os serviços de informação de países congéneres, de adaptar as liberdades civis às necessidades de prevenção, de denunciar os fluxos económicos que financiam os movimentos extremistas e de apelar a forças armadas actuantes, orientadas para uma reacção militar concertada entre aliados, apoiadas simultaneamente por forças regionais abertas ao compromisso a longo prazo.

A Europa tem de ser mais Europa em áreas onde nunca o foi e desprender-se dos romantismos que a desarmam contra forças que, sem honra de guerra e sem respeito à paz, perseguem a sua história e a nossa vida. Já sentimos a dor das chacinas em África e vimos barbárie semelhante na Turquiac.Já fomos charlies, parisienses e, agora, belgas. Somos uma sociedade que teme vir a ser muito mais ainda. Se a resposta continuar a ser a metamorfose filosófica da identidade, a escalada de violência só cessará quando formos todos muçulmanos toldados por um radicalismo hediondo.

Eu estou do lado dos valores que nos definem enquanto povo. É por eles que sei valer a pena levantar-me. Atacaram o coração da Europa, nunca destruirão a sua alma.

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