Pedro Charters


Faculdade de Direito, UL

"Em tempos de crise uns choram, os outros vendem lenços."
- Unknown

Iminência de ataque

Fala-se cada vez mais na hipótese da ocorrência de um ataque terrorista em Portugal. Sobre as causas de tudo isto e as falhas da integração multicultural europeia, subscrevo o excelente artigo da Sofia Cabrita no passado dia 29 de Março.

As reacções que tenho encontrado junto dos que me são mais próximos são diversas. Ainda assim, consigo encontrar dois grandes pólos de opiniões: os muito assustados que vão mudar completamente as suas vidas e vão viver em função da fuga de locais propícios aos ataques; e por outro lado, o pólo dos "yolo" que dizem que "a vida é só uma e que se houver um ataque e eu lá estiver ao destino cabe a culpa".

Pois bem, tenho que admitir que este último pólo tem reunido um grupo muito maior de seguidores, o que é para mim, muito assustador. Tentando abordar este tema da forma mais fria possível, a verdade é que já recebemos duas ameaças do ISIS, ou de órgãos de propaganda próximos, com referências directas a Portugal e à Península Ibérica. Aquilo que considero fundamental perceber é que, a vida é um bem demasiado valioso e sagrado para tomarmos decisões com tanta relevância sem a devida ponderação. Assim, considero fundamental uma análise risco-beneficio das decisões em que haja um perigo mais elevado.

Jamais poderíamos era continuar a viver como se nada se passasse. O terrorismo é uma condição, e como tal, devemos adaptar os nossos comportamentos. Quando está frio, ninguém se lembra de usar calções. Com o terrorismo devemos se calhar adaptar algumas atitudes que tínhamos antes.

E caso aconteça o ataque, Portugal poderá sofrer enormes modificações, sobretudo a nível económico. Imaginem as consequências para cidades como Lisboa e Porto, em que o turismo tem sido um dos maiores sectores empregadores e de crescimento económico. Um ataque agora poderia ser catastrófico nessa área. Lembro que em Bruxelas houve uma queda de 50%, em Londres 30%, Berlim 38% e em Paris 35% na taxa de ocupação hoteleira. Todas estas capitais pertencem a países de dimensão consideravelmente maior que Portugal, o que me leva a acreditar que, na ocorrência de um ataque, por exemplo, em Lisboa, todo o país seria afectado no sector do turismo e, inevitavelmente, nos restantes sectores.

Por isso o apelo que faço é simples: adaptar a vida às condições em que nos encontramos. Mas atenção: adaptar não implica uma mudança radical no nosso estilo de vida que tanto prezamos. Assim, fazer uma ponderação risco-benefício parece-me, pelo menos, razoável.


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