João Faria


Gestor

"Ter um sonho grande dá tanto trabalho como ter um sonho pequeno."
- Jorge Paulo Lemann

Forças de Blo(co)queio

"Ao dia de hoje, o poder político não só é incapaz de ser um promotor do progresso como sempre foi mas, desde que tem partidos admiradores da ditadura norte-coreana ou do exemplo económico da Venezuela de Nicolás Maduro, tornou-se ele próprio um marasmo de obstáculos que impedem esse progresso sempre que este seja proposto por cores diferentes das suas(...)"

O progresso na sociedade é definido por 4 grandes vectores: visão, conhecimento, trabalho, e capacidade de enfrentar obstáculos. Com o vasto leque de fontes de informação à disposição de todos que hoje em dia temos, a questão passa mais por saber identifica-la, trabalhá-la e implementá-la.

É ponto assente que o regime político português tem sido incapaz de ser uma força motora desse progresso. Desde a falta de visão no período em que se deu a entrada e Portugal na CEE e já abordada por mim num texto anterior, à falta de capacidade de angariar (ou direcionar correctamente) os fundos necessários à concretização de projectos que poderiam elevar o nosso país para outro patamar em áreas estratégicas como o mar, agricultura e energias renováveis, os últimos 50 anos da nossa história mostraram que só a iniciativa privada tem sido capaz de, repetidamente, combinar estes 4 vectores para se afirmar não só a nível nacional, mas num mercado cada vez mais global.

Ao poder político cabe não só o desafio, mas a obrigação de pensar e pelo menos tentar resolver os problemas estruturais que o país tem. Não queremos que façam o trabalho por nós, queremos que não o compliquem e que sejam sérios na abordagem dos assuntos que realmente interessam. E um dos temas que tem urgência de ser resolvido é o do envelhecimento da população. Por vários motivos. Porque só com uma população activa numerosa, qualificada, especializada e pujante haverá capital humano para o país crescer, mas também porque as gerações que vão envelhecendo precisam de um suporte que lhes permita que os anos passem com toda a dignidade que merecem, como defende o contrato social implementado há décadas. E isso será impossível se continuarmos a ser o país menos fértil da união europeia, com uma taxa de fecundidade de 1.23 por mulher (vs 1.58 de média na União Europeia), com uma diminuição de 27% em relação a 2001

Houve um partido que deu o exemplo, pôs mãos à obra, e trabalhou na criação de 25 propostas de incentivo à natalidade e apoio às famílias com filhos. Aumento de abono de família para quem tem deficientes a cargo, alargamento do horário das creches, incentivos e benefícios fiscais para empresas que promovam a responsabilidade familiar dos seus colaboradores, alargamento das licenças de maternidade e paternidade, entre outros. Teve a visão, o conhecimento e o trabalho de criar as propostas e um plano de acção para as implementar.

Acontece que, ao dia de hoje, o poder político não só é incapaz de ser um promotor do progresso como sempre foi mas, desde que tem partidos admiradores da ditadura norte-coreana ou do exemplo económico da Venezuela de Nicolás Maduro, tornou-se ele próprio um marasmo de obstáculos que impedem esse progresso sempre que este seja proposto por cores diferentes das suas. Uma pequenez egoísta que, mais uma vez, prejudica essencialmente a maioria consciente que se recusa a votar neles.


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