João Faria


Gestor

"Ter um sonho grande dá tanto trabalho como ter um sonho pequeno."
- Jorge Paulo Lemann

Exploração de Petróleo no Algarve é comprometer o futuro de Portugal!

Portugal é, desde há muito, um destino turístico por excelência. As praias deslumbrantes de norte a sul, a facilidade em conviver com os locais, e ultimamente também a segurança que outros destinos turístico deixaram de transmitir, fizeram com que o turismo se tornasse um verdadeiro tesouro, essencial para a economia e com o extra de ter um impacto positivo para praticamente toda a população.

A acrescentar ao turismo, a localização geográfica ímpar de Portugal permite que tenha a capacidade de ser um líder no que toca ao desenvolvimento de energias renováveis, uma realidade que por fim tem ganho adeptos entre o poder político e económico e que todos reconhecem ser a única forma do mundo reagir às alterações globais e impedir que o futuro próximo seja trágico.

Não foi seguramente com este pensamento que, 4 dias antes das eleições, o ex-ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, decidiu atribuir licenças de exploração de petróleo e gás natural em toda a região algarvia a empresas controladas pelo conhecido empresário José de Sousa Cintra.

Estas licenças, atribuídas sem concurso nem consulta pública e tão perto do término do mandato, não só são mais uma machadada na confiança que já não temos nos políticos mas, mais grave que isso, é de uma falta de visão estratégica, económica e social que me parece difícil um político experiente não o saber.

Indo por partes, e explicando todo o gravíssimo enquadramento de uma forma simples, o que se passou foi o seguinte:

Foi atribuída uma licença para exploração onshore e offshore(ou seja, com perfuração em terra e mar), perto de Zonas Protegidas(como o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e a Zona Protegida de Tavira), para uma empresa sem experiência nem garantias de know-how e segurança e que pretende utilizar uma técnica de prospecção (fracking) que, apesar de muito utilizada nos EUA, é quase inexistente na Europa devido aos comprovados efeitos nocivos que tem no ecossistema local.

Numa altura em que a cotação do petróleo está baixa, que o turismo ganha a cada dia peso na nossa economia, e que a sustentabilidade é um assunto na ordem do dia, qual terá sido o interesse na atribuição destas licenças? O progresso e a prosperidade do país não foram certamente.

O caminho tem que ser o investimento nos centros de conhecimento(universidades, essencialmente) para a criação de novas técnicas de exploração de energias provenientes do vento, das ondas e do abundante sol que paira no nosso país. Bem como na criação de condições para que o deslumbrante património ambiental do litoral algarvio e alentejano se mantenha e se desenvolva nos próximos anos.

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