João Ferreira Pelarigo


Ciências da Comunicação, UNL

"Experience is what you get when you didn't get what you wanted."
- Randy Pausch

De que é que valem as opiniões?

De que é que vale a minha opinião? Já me debrucei sobre esta questão vezes sem conta. De que valem as opiniões, tanto a minha como a dos outros?

Um ponto assente: Nos media, as opiniões são opiniões, jornalismo é jornalismo. É diferente. Mas são ambos informação. Todos os dias somos bombardeados com informação dos quatro cantos do mundo. O nosso espaço é uma esfera da informação, muito por culpa da globalização. Não é mau, mas será bom?

Ter acesso à informação é sempre bom. Mas será informação de qualidade aquela a que somos expostos diariamente? Não é propósito nosso desconfiarmos da verdade de um jornalista, de um jornal ou de um noticiário. Na verdade, eu creio que ninguém se questiona quanto à verdade da reportagem que abre o noticiário das oito da noite.

Na imprensa, eu não creio que as pessoas se questionem quanto à verdade dos conteúdos da capa. Se é informação relevante ou não, é outra questão. Se é uma publicação interessante ou não, isso depende dos interesses do leitor. Podemos não gostar do tema, podemos não aceitar aquela realidade, mas consumimos aquele conteúdo como verdadeiro, como uma exposição da verdade, múltipla e factual. Isenta.

Há jornais e jornais, como há canais e canais. Mas os leitores e os telespectadores, acreditando que consomem os conteúdos informativos que lhes interessam, não têm como propósito desconfiar da verdade do que está perante eles. O jornalista tem um código deontológico, um código de conduta, que lhe confere credibilidade. Se bem que há uma reputação, um estatuto que se adquire com o tempo. E são pessoas, claro. Há sempre quem goste e quem não goste. Uma vez mais, a globalização, a Internet e o facilitado acesso ao espaço privado de cada um faz com que a exposição se torne uma ameaça.

Mas e das opiniões? O Agora, por exemplo, é um espaço de opinião. Cada um é livre de ter a sua, como na vida. A verdade das opiniões é mais relativa. Mas e das opiniões concretizadas a partir da informação? Da informação que recebemos e que acreditamos ser verdadeira? Quais são os critérios que conferem à minha opinião a credibilidade, a verdade e a confiança?

Escrever bem não é tudo. Saber falar de assuntos também não é tudo. A verdade é que as opiniões começam a captar mais a atenção do leitor do que a notícia, factual e concreta. Os jornais - sobretudo os jornais - começam a perder páginas de informação e aumentam os espaços de opinião. Na televisão, os comentadores ganham espaço e os blocos noticiosos perdem antena.

Há uma diferença. Esta é uma página de opinião. Não se trata de uma publicação de informação jornalística. Quem vem, sabe ao que vem, ou concorda ou não. É verdade que as opiniões também podem informar, instruir, abrir o debate e esclarecer, não duvido.

Mas um comentador começa a ter mais credibilidade que um jornalista? Um criador de opinião confere mais confiança que um pivô? Esses estão sempre ressalvados pelo facto de falarem a sua opinião. Podem mentir, podem. É a opinião deles. Podem distorcer factos ou salientar aqueles que mais lhes interessam? Podem não ser isentos? Quase sempre não o são. Mas isso não lhes traz problemas porque se trata da opinião deles.

Se há perigos? Há. Claro que há. Se não forem opiniões mediadas, se não forem controladas ou expostas perante ideias opostas podem ser controladoras, podem ser mediatizadas como verdade.

Para qualquer assunto há hoje uma agenda, uma lista de contactos com potenciais comentadores. Alguns de áreas afins, outros só polémicos ou mediáticos. Da globalização – lá vem ela outra vez – retiram-se os frutos comerciais deste mediatismo. Na Internet aumentam as page views por causa do assunto que gerou polémica. Sem o comentador, o jornalista não o podia fazer. A isenção proíbe-o de gerar discórdia e instalar o conflito. Mas um criador de opinião é a cobaia perfeita para isso. Na antena, o rating sobe quando se sabe que aquele nome vai estar no ar. Na rádio igual. Na capa do jornal, naquele dia da semana, a opinião daquela pessoa vai vender mais do que as notícias.

Do que é que valem as opiniões? O que é que lhes confere credibilidade? Será o autor? A mim parece-me que os leitores gostam de ver exposta uma opinião que partilham. Atribui confiança ao telespectador assistir a um comentador que escrutina e arrasa a informação factual com comentários partilhados. Isso cria opinião. É informação. Mas não é isenta, e a falta de isenção pode ser perigosa quando não é controlada, quando se sobrepõe ao resto.

No fundo, o que é que isto interessa? É só a minha opinião.


0 comentários

Deixar um comentário