Manuel Duarte Neves Gonçalves


Faculdade de Direito, UL

"Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade. Um optimista vê uma oportunidade em cada dificuldade."
- Winston Churchill

Colinho só dos meus Pais

Artigo escrito para Sábado.pt (Com link)

Mais uma vez, não fossemos nós, portugueses comuns, estarmos esquecidos, o Partido Socialista vem lembrar-nos quem é a força política que quer o bem do seu Povo. Finalmente, temos de novo a mandar quem trata de nós, quem nos dá \"colinho\". A prová-lo, a sobretaxa que vai ser devolvida já, já. As pensões que, parece, aumentaram uma muito apregoada nesga. Os feriados tão nossos que já são nossos outra vez. As 35 horas que estão aí a rebentar, mesmo que só para o sector público mas também, agora, não vamos deter-nos a discutir a justiça deste pressuposto de que uns se estafam mais que outros. O que interessa é que tudo isto vai ser muito bom para nós todos, porque, apesar de a despesa aumentar, contrariamente à receita que diminui, até dizem, não me perguntem como nem por alma de quem, que vai gerar-se emprego.

Realmente, não se percebe o que é que vai na cabeça de alguns governantes… Será que gostam de aumentar impostos? Será que têm prazer em impor a redução de postos de trabalho na função pública? Será que se divertem a privatizar empresas deixando os seus trabalhadores à mercê de uma gestão com base em resultados em vez de garantirem o seu bem estar perpetuando prejuízos? Depois admiram-se de serem tidos por \"conservadores\", \"fascistas\" e \"retrógrados\". Será que não percebem nada de política?

Há fórmulas clássicas. Nem é preciso ter muita imaginação. Dar \"colinho\" é fundamental. Depois, a serenata da classe política governante à função pública, por exemplo. Trabalhar menos, receber mais, é outro exemplo básico. E ficam, desde logo, garantidos para cima de 600.000 Portugueses que se sentem agradecidos e em dívida para com um Governo que é seu protector.

A dívida vai voltar a ser programa do Governo, Mas, também, qual é a novidade? Não há dinheiro. Nunca houve. Faz-se o quê? Pede-se emprestado. Depois logo se vê como se paga. De quando em vez, até podemos ameaçar, orgulhosamente, que não se paga de todo. Enfim, há variantes, mas as fórmulas são as mesmas de sempre.

E as fórmulas clássicas produzem resultados que se tornam clássicos. Sempre que detém o poder, esta esquerda deixa o País na pré-bancarrota e entregue a uma Europa também ela cada vez mais desgovernada. Não tem mal. A seguir, curiosamente, há sempre alguém que se propõe pôr ordem no caos. Alguém, muito ingénuo, ou muito bem intencionado, ou muito obstinado, ou muito corajoso, ou muito tudo isto ao mesmo tempo, porque governa disposto a cortar aquilo \"que o Socialismo lá pôs a mais\", como diria António Champalimaud, e, portanto, disposto a ser duramente criticado e insultado. No mínimo, será \"conservador\", \"fascista\" e \"retrógrado\".

Já sabemos que falsificar o passado, arranjando todas as desculpas possíveis, é o método que esta Esquerda usa para produzir o Futuro. Para Guinon a cobardia tem sobre a coragem uma grande vantagem: a de encontrar sempre uma desculpa. E é exactamente por isto que a responsabilidade política é uma realidade que o Partido Socialista não conhece.

Chega. Reformem o Estado. Reduzam a despesa. Digam a verdade. Por mim, dispenso o vosso \"colinho\".

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1 comentários

  1. Nem mais. Chega de hipocrisias e de populismos

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